a culpa é toda minha, eu sei, ele diz que eu tenho neurose com essa coisa de culpa, mas ele me culpa também, ele diz, a culpa é toda sua, e eu queria dizer, pelo amor de deus, me diz o que quer que eu faço, eu juro que eu faço, mas eu não posso jurar, porque não consigo cumprir, nao consigo acordar sem o gosto da amargura escorrendo, sem o desprezo pela vida saindo dos meus olhos, ele vê, ele sempre vê e vai adoecendo, e eu agora quero morrer e eu estou fingindo que é porque ele foi embora mas sempre foi assim, mesmo com ele aqui, eu sempre quis morrer e sempre fui assim, e não consigo mudar, eu só queria poder dizer, eu vou mudar, eu juro, me diz o que você quer que eu faça, eu faço, eu juro, mas nem consigo mais dizer isso, eu estou tão cansada, tão desnorteada que eu só quero sumir, só quero evaporar, com ele era mais fácil.
me diz eu te amo, eu nao vou me humilhar mais, eu nao vou mais pedir, eu uro, eu nao vou mais, pedir, me diz eu te amo, me diz, me diz que quer construir uma vida comigo e que a casinha branca foi substituida por um apartamento lindo com garagem e área de serviço. hoje temos até terraço, moramos numa cobertura. faz diferença? parece que não, a amargura só aumenta. o cheiro de urina tomou conta das nossas vidas. eu só queria que você me amasse.
eu nao acho mais que vou morrer
eu vou, é claro, mas não agora
e talvez se fosse, seria mais leve
parece que vou viver o resto da vida, longa e miserável, com essa pedra no meu peito, cinza. #909090, como o cinza da televisão, mais sem graça impossível.
cinza e cheia de miasma em volta, corroendo meus orgãos, meu estomago, minhas entranhas.
meus ossos vão quebrar, frageis, em mil pedacinhos pontiagudos.
minha coluna vai desmontar.
tem uma bola na minha garganta.
eu nao cosigo ver, mas eu sei que ela é amarela, amarelo-mostarda.
essa bola fede a podridão.
essa bola me impede de respirar e deixa meu rosto inchado e cheio de rugas.
eu estou cheia de rugas.
minha pele murchou. não quero nunca mais me olhar no espelho.
não quero que ninhuém nunca mais veja meu rosto.
nem meu corpo. manchado, como essas olheiras em torno dos olhos. cansaço.
eu cansei. eu morri já, de certa forma. mas sei que eu não vou morrer. não agora, não disso.
Disso eu vou viver a vida inteira, infeliz.
eu sempre fui assim, tudo bem, é um reencontro com a solidao, só que agora com as marcas do tempo, com a podridão da sociedade, com o fracasso das relações.
eu não quero me relacionar com mais ninguém.
mentira, tem umas pessoas que me fazem rir. e quando eu fumo maconha, é mais fácil.
mas tudo bem, não preciso cortar 100% das relações, pode ser só 95%. pode ser só ele. eu posso só cortar ele e então eu vou poder chorar em paz e vou poder ser infeliz em paz. sem essa expectativa de ser bem resolvida, adulta e interessante. eu vou poder até deixar de querer ser lisa como aquelas modelos horrorosas. vou parar de me preocupar em ser gostosa como aquelas vagabundas vulgares que eu desprezo. vou poder ser só eu, linda, bela e fria. tavez até frigida. ou talvez eu possa entrar no grupo dos desbundados e dizer foda-se pra todo esse recalque. que a sociedade é muito recalcada. e eu estou recalcada demais.
acho que expuguei umas coisas estranhas.
eu vou, é claro, mas não agora
e talvez se fosse, seria mais leve
parece que vou viver o resto da vida, longa e miserável, com essa pedra no meu peito, cinza. #909090, como o cinza da televisão, mais sem graça impossível.
cinza e cheia de miasma em volta, corroendo meus orgãos, meu estomago, minhas entranhas.
meus ossos vão quebrar, frageis, em mil pedacinhos pontiagudos.
minha coluna vai desmontar.
tem uma bola na minha garganta.
eu nao cosigo ver, mas eu sei que ela é amarela, amarelo-mostarda.
essa bola fede a podridão.
essa bola me impede de respirar e deixa meu rosto inchado e cheio de rugas.
eu estou cheia de rugas.
minha pele murchou. não quero nunca mais me olhar no espelho.
não quero que ninhuém nunca mais veja meu rosto.
nem meu corpo. manchado, como essas olheiras em torno dos olhos. cansaço.
eu cansei. eu morri já, de certa forma. mas sei que eu não vou morrer. não agora, não disso.
Disso eu vou viver a vida inteira, infeliz.
eu sempre fui assim, tudo bem, é um reencontro com a solidao, só que agora com as marcas do tempo, com a podridão da sociedade, com o fracasso das relações.
eu não quero me relacionar com mais ninguém.
mentira, tem umas pessoas que me fazem rir. e quando eu fumo maconha, é mais fácil.
mas tudo bem, não preciso cortar 100% das relações, pode ser só 95%. pode ser só ele. eu posso só cortar ele e então eu vou poder chorar em paz e vou poder ser infeliz em paz. sem essa expectativa de ser bem resolvida, adulta e interessante. eu vou poder até deixar de querer ser lisa como aquelas modelos horrorosas. vou parar de me preocupar em ser gostosa como aquelas vagabundas vulgares que eu desprezo. vou poder ser só eu, linda, bela e fria. tavez até frigida. ou talvez eu possa entrar no grupo dos desbundados e dizer foda-se pra todo esse recalque. que a sociedade é muito recalcada. e eu estou recalcada demais.
acho que expuguei umas coisas estranhas.
alternativas
é bom ter para onde voltar,
sozinha magoada e confusa, tem como ser anonimo? não preciso dizer meu nome? tá, tá bom, obrigada. mas no fundo sempre tem como saber, sempre tem como ridicularizar e dizer hahaha, com seus perfis de facebook estampados nas rodas sociais, fisicas, eu diria mas nem importa mais... qual a diferença? e se não tem diferença: um retorno aos sustentáculos do web-corpo, anonimo - ou como seria se fosse.
nós todos crescemos e as angustias continuam as mesmas e o aperto no peito, o frio nos ossos e essa dorzinha insistente no pé do pescoço dizendo "não, você não está bem". ninguem está bem, são muitos agrotóxicos, muito mijo no ar, muita poeira na mesa, sempre, pêlos e pêlos em revoada pela sala e os gatos miam encolhidos, agonizando de tédio no cárcere do apartamento.
e o cárcere da minha vida cada vez mais fundo. e os nós vão ficando mais fortes e as cordas mais apertadas, porque não transformar tudo numa versão chechelenta de bdsm? ficaria bem mais sexy, pelo menos.
sozinha magoada e confusa, tem como ser anonimo? não preciso dizer meu nome? tá, tá bom, obrigada. mas no fundo sempre tem como saber, sempre tem como ridicularizar e dizer hahaha, com seus perfis de facebook estampados nas rodas sociais, fisicas, eu diria mas nem importa mais... qual a diferença? e se não tem diferença: um retorno aos sustentáculos do web-corpo, anonimo - ou como seria se fosse.
nós todos crescemos e as angustias continuam as mesmas e o aperto no peito, o frio nos ossos e essa dorzinha insistente no pé do pescoço dizendo "não, você não está bem". ninguem está bem, são muitos agrotóxicos, muito mijo no ar, muita poeira na mesa, sempre, pêlos e pêlos em revoada pela sala e os gatos miam encolhidos, agonizando de tédio no cárcere do apartamento.
e o cárcere da minha vida cada vez mais fundo. e os nós vão ficando mais fortes e as cordas mais apertadas, porque não transformar tudo numa versão chechelenta de bdsm? ficaria bem mais sexy, pelo menos.
de como estou
eu ando absurdamente estourada,
emotiva, chorosa, estressada, tpm
e mais que tudo
cansada disso tudo.
de estar emotiva, chorosa e estressada
eu ando muito chata.
nao sei como as pessoas me aguentam... na verdade, eu sei,
eu nao tenho tido contato com pessoas,
as que eu tenho contato nao estão me aguentando
é, tipo isso.
hoje eu mandei o munir sumir da minha vida, doeu, eu gosto dele.
fora isso,
estou absolutamente sozinha.
mas já se tornou normal.
emotiva, chorosa, estressada, tpm
e mais que tudo
cansada disso tudo.
de estar emotiva, chorosa e estressada
eu ando muito chata.
nao sei como as pessoas me aguentam... na verdade, eu sei,
eu nao tenho tido contato com pessoas,
as que eu tenho contato nao estão me aguentando
é, tipo isso.
hoje eu mandei o munir sumir da minha vida, doeu, eu gosto dele.
fora isso,
estou absolutamente sozinha.
mas já se tornou normal.
um novo tema
de tão figurativo, em contradição,
me invadiu abstrato,
tomando sem linhas todo meu corpo
eu nao vou instigar isso
só no imaginário, platônico, intangivel e intocado.
sem linha tá bom, indelimitado
como nos sonhos.
me invadiu abstrato,
tomando sem linhas todo meu corpo
eu nao vou instigar isso
só no imaginário, platônico, intangivel e intocado.
sem linha tá bom, indelimitado
como nos sonhos.
de se testar, testando-o
na sensibilidade dos poros, dos toques nos sentidos
nos gritos contidos em gemidos
sensibilizando-o ao sensibilizar-se
emocionando na própria emoção, farsante
testando a si mesmo, na chuva que escorre,
na chuva que se faz chover em si, para ver escorrer no outro
para ver até onde vai a simbiose, até onde se pode força-la
até onde se pode inventa-la
flores roxas e girassois.
obrigo-o a ver poesia
obrigo-o a ser em mim
ao menos, dentro de mim.
na sensibilidade dos poros, dos toques nos sentidos
nos gritos contidos em gemidos
sensibilizando-o ao sensibilizar-se
emocionando na própria emoção, farsante
testando a si mesmo, na chuva que escorre,
na chuva que se faz chover em si, para ver escorrer no outro
para ver até onde vai a simbiose, até onde se pode força-la
até onde se pode inventa-la
flores roxas e girassois.
obrigo-o a ver poesia
obrigo-o a ser em mim
ao menos, dentro de mim.
Dessa coisa de ser puramente imagetico, me dói.
dói de solidão.
eu não consigo acreditar que possa ser assim,
só pra fora.
sou tão pra dentro que inundo minha conchinha
me afogo e não posso respirar debaixo d'agua.
mas descubro que é assim mesmo, mundo de imagem
gente de superfície, lisa e sem poros.
gente de sentimentos rasos e rigidos
... e ele feio, fragil e aflito: flicts.
dá vontade de ir subindo e sumindo... até a lua!
dá vontade de imergir n'agua, funda
como eu, azul e funda, como o céu
dói de solidão.
eu não consigo acreditar que possa ser assim,
só pra fora.
sou tão pra dentro que inundo minha conchinha
me afogo e não posso respirar debaixo d'agua.
mas descubro que é assim mesmo, mundo de imagem
gente de superfície, lisa e sem poros.
gente de sentimentos rasos e rigidos
... e ele feio, fragil e aflito: flicts.
dá vontade de ir subindo e sumindo... até a lua!
dá vontade de imergir n'agua, funda
como eu, azul e funda, como o céu
Hoje me sinto poesia não escrita
estou numa nostalgia de algo que esqueci, estou bem.
é interiorizado, pés nos teclados. algo quase existencialista
gero camilo é bonito, me toca.
ontem foi estranho, foi importante e especial.
foi embriagadamente sincero.
Hoje eu trabalho,
não me sinto trabalho, me sinto poesia
mas é estritamente explicativa, como escrevo
é didático e intensionalmente reflexivo
para mim mesma
para poder entender, e registrar talvez,
o sentimento
Acho que nao vou conseguir sair daqui.
tenho trabalho. não sinto trabalho.
pura poesia puta transbordando em meus poros
estou numa nostalgia de algo que esqueci, estou bem.
é interiorizado, pés nos teclados. algo quase existencialista
gero camilo é bonito, me toca.
ontem foi estranho, foi importante e especial.
foi embriagadamente sincero.
Hoje eu trabalho,
não me sinto trabalho, me sinto poesia
mas é estritamente explicativa, como escrevo
é didático e intensionalmente reflexivo
para mim mesma
para poder entender, e registrar talvez,
o sentimento
Acho que nao vou conseguir sair daqui.
tenho trabalho. não sinto trabalho.
pura poesia puta transbordando em meus poros
gestação
alguma coisa está mudando.
está em plena transfiguração.
eu sinto no cheiro do ar que entra
em contraste com o que sai.
é gritante. está gritando no meu paladar.
meus olhos turvam. meu corpo se perde
e se acha, em um mesmo instante.
está em plena transfiguração.
eu sinto no cheiro do ar que entra
em contraste com o que sai.
é gritante. está gritando no meu paladar.
meus olhos turvam. meu corpo se perde
e se acha, em um mesmo instante.
Foi...
foi e eu nem percebi.
percebi assim, agora, no ato. mas parece que foi de surpresa, apesar de tanto tempo de espera, apesar de tanta decisão... parece que está tudo indefinido. e eu estou ainda esperando uma resposta, uma resposta que já foi dada por mim mesma... há tanto tempo
e foi e eu nem percebi.
e o meu amor escorregou pelos meus dedos antes mesmo que eu percebesse que tinha voltado pra dentro do meu peito. e dói um pouquinho esse aperto, não sei se mais que a tristeza nos olhos.
queria que não fosse assim, mas nem tem tanta importancia. nada tem tanta importancia, nem pra mim.
isso impressiona, causa mais impacto do que a força que tem...
ignora, é só que queria chorar... mas não tenho lágrima.
percebi assim, agora, no ato. mas parece que foi de surpresa, apesar de tanto tempo de espera, apesar de tanta decisão... parece que está tudo indefinido. e eu estou ainda esperando uma resposta, uma resposta que já foi dada por mim mesma... há tanto tempo
e foi e eu nem percebi.
e o meu amor escorregou pelos meus dedos antes mesmo que eu percebesse que tinha voltado pra dentro do meu peito. e dói um pouquinho esse aperto, não sei se mais que a tristeza nos olhos.
queria que não fosse assim, mas nem tem tanta importancia. nada tem tanta importancia, nem pra mim.
isso impressiona, causa mais impacto do que a força que tem...
ignora, é só que queria chorar... mas não tenho lágrima.
teatro elefante
chico, queria te mostrar milhões de coisas mas a caixinha onde guardei foi esquecida no esconderijo, foi, foi entalada na garganta e não sai mais ................ em fumaça elefante. estou no teatro agora estou, estou riem de mim agora e dormem e sussurram de mim também : cinza e gorda e feia e fraca ba. que não flui em orgasmo elefante e, como o chico, não quer acordar do sono áureo dos condes do mar
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